MAROMBA

A 180km do Rio de Janeiro, a meio caminho de São Paulo, fica esse lugar mágico, de pessoas especiais, experiências inesquecíveis e energia renovadora.

Advertisements

A 180 km do Rio de Janeiro, escondidinha na mata do Parque Nacional de Itatiaia, fica a pequena vila de Maromba. Cercada pela mata protegida, com diversas opções de cachoeiras e protegida pelo amor dos habitantes locais, Maromba é um refúgio a meio caminho entre Rio de Janeiro e São Paulo para fugir do caos urbano, desacelerar e se reconectar.

Ainda pouco conhecida pelo turismo agressivo, a vila e seus habitantes guardam muito da simplicidade que buscaram ao se mudarem para aquele local. Para qualquer canto a que se olhe, a natureza surpreende, seja pela sua exuberância, ou por seus recantos vazios onde é possível ficar em silêncio e fazer algo cada vez mais raro em nossas vidas: contemplar.

 

 

Decidi conhecer a vila de Maromba no ímpeto. Estava numa daquelas semanas em que tudo o que precisava era sumir. Peguei o carro, achei uma hospedagem na internet e pus o pé na estrada. Chegando lá, descobri que tinha alugado um quarto super confortável, por um preço muito acessível, em uma pousada administrada por uma senhora muito simpática.

Dona Geovana construiu uma longa carreira no mercado da moda em São Paulo, nos anos 80 e 90. Me contou sobre as milhares de viagens que fez para trazer tendências ao Brasil, e sobre a vida corrida e glamurosa que seu trabalho proporcionava. Mas que, ao ficar viúva, cansou. Decidiu se mudar para a casa que ela e seu marido tinham em Maromba e montou a sua pousada.

Hoje, dona Geovana vive sem ver o tempo passar, se alimentando da horta que tem no próprio quintal e em contato imediato com a natureza ao redor. Nossas conversas ao final dos dias eram intermináveis. Falávamos sobre a vida na cidade grande e como as pessoas não se olham, se alimentam mal e tomam remédio para compensar.

Trocamos nossas experiências espirituais, nossas opiniões sobre ETs e lamentamos sobre a maldade no mundo. Refletimos sobre amigos, família, sexo, a necessidade de comer carne vermelha e sobre como é viver da forma que ela escolheu: apenas ela, a horta e o Bilu.

E o maior presente que eu ganhei nessa viagem foi dado por dona Geovana. Na lateral de sua casa há um gramado recém feito, onde eu, todos os dias pela manhã, fazia meu alongamento e yoga. Dona Geovana me disse que não tinha idéia do que fazer no local: uma outra horta, uma expansão da casa, ou um jardim. Ao me ver ocupando aquele espaço, decidiu batizar o lugar com o meu nome e disse que ali se tornaria o espaço para meditação dela.

Eu não tinha como ter ficado mais feliz.

 

O espaço de ioga que, sem querer, inaugurei

Bilu

( * * * )

A cachoeira de Santa Rita é a grande atração de Maromba. Decidi ir conhecê-la numa segunda-feira, para ter certeza de que não dividiria o espaço com muitos outros visitantes. Escolhi pegar o caminho mais longo, saindo da pousada de dona Geovana. A minha trilha subia e descia dois morros até chegar no caminho que levaria até Santa Rita. No meio do caminho, acidentalmente entrei por uma fazenda e fui atacado pelo cachorro guardião.

Com a confusão, usei o tripé da câmera para fazer com que ele não me mordesse. Com muita calma e muito cafuné, consegui fazer com que ele acalmasse também.  Dali não demorou muito e ele se tornou o meu guardião. Passou a me acompanhar durante todo o dia, tendo certeza de que eu não ficaria para trás, latindo impaciente toda vez que eu parava para tirar fotos.

Chamei ele de Barroso.

 

Eu e Barroso

Chegando na cachoeira de Santa Rita, levei um choque. Uma cachoeira muito imponente que escorre por um imenso bloco de pedra, terminando em uma piscina deliciosa para o banho.

( * * * )

No primeiro dia que cheguei em Maromba, fui ao local onde as pessoas locais se reunem para venderem seus artesanatos e interagirem com os visitante. Em um dos estandes, conheci dona Micaela, moradora local. De sorriso fácil, ficamos conversamos um bom tempo sobre a região e sobre como aquele é um lugar de encontros, de pessoas que estão ali pelo mesmo motivo: encontrar e proporcionar paz.

Dona Micaela e eu tivemos conexão imediata e ela me deu todas as dicas de lugares não-óbvios que eu deveria conhecer. Me recomendou os cantos escondidos e as melhores trilhas para fugir dos demais visitantes. Segui quase todas a risca.

Ao final da viagem voltei ao estande de dona Micaela para agradecê-la pelo carinho e pelas dicas. Falei sobre as impressões maravilhosas que tive daquele lugar e sobre como eu me sentia com a energia renovada para voltar para casa. Pedi para tirar um retrato seu para levar de lembrança daquele fim de semana especial.

Ao final, dona Micaela me deu um abraço forte e demorado. Ao soltar, estava chorando, emocionada e desejou que eu sempre tivesse paz e amor na vida, que meus planos se concretizassem e que eu nunca perdesse a luz que eu emano e que tão bem fez a ela.

 

Dona Micaela

View All