Chapada Diamantina 5/9 – Palmeiras

Depois de ter passado os três primeiros dias com base em Lençóis, comecei a descer para a parte central do Parque Nacional, em direção a pequena vila do Vale do Capão.

Como eu saí tarde de Lençóis, decidi passar a noite no meio do caminho para conhecer a cachoeira da Fumaça na manhã do dia seguinte.

E foi dessa maneira que fui parar em Palmeiras.

A primeira vista, achei que Palmeiras não teria muito a oferecer. Seria apenas uma cidadezinha no interior, um ponto de parada para passar a noite.

Mas ao no dia seguinte, bem em frente a pousada aleatória onde passei a noite, havia casa TODA CONSTRUÍDA DE MATERIAL RECICLADO.

< O carro ecológico, sem radiador, feito pelo pessoal do GAP >

Ali funciona o GAP – Grupo Ambientalista de Palmeiras, uma ONG que “atua na defesa, conservação e recuperação do meio ambiente da Chapada Diamantina”.

Ali absolutamente tudo é feito com material coletado na região, desde portas e paredes, até obras de arte e instrumentos musicais.

Mascote do GAP, o carro usado para coleta de materiais foi adaptado pela própria organização e não possui radiador, funcionando a bateria.

Surgido nos anos 90, o GAP atua não só na reciclagem de materiais, mas também em obras diretas de conservação do meio ambiente, como replantio de mata nativa; e de ações de inserção sócio-cultural, como rodas de capoeira, conscientização ambiental e horto comunitário. Quem me mostrou o projeto foi Théa, que trabalha no GAP desde o início da organização.

Eu, pessoalmente, não consigo descrever o quanto eu fiquei emocionado de ver um trabalho tão bonito e importante sendo realizado no interior do Brasil, sem nunca ter ouvido falar sobre ele. Todo o trabalho desenvolvido pelo GAP é incrível, desde coleta de lixo, obras de arte com sucata, até replantio de florestas etc. Mas a conquista do GAP que mais me deixou comovido foi o apoio e conscientização da comunidade local.

Nascido de pessoas ligadas aos ideais do reggae, o GAP era visto no início como coisa de louco. Mas como me disse um de seus fundadores: O QUE SERIA DO MUNDO SEM OS LOUCOS?

Os catadores do GAP passam pela cidade diariamente coletando o lixo das residências e ensinando as pessoas a separar o lixo da forma mais simples e eficaz possível: lixo seco e lixo orgânico. Com trabalho persistente, o GAP conseguiu mudar a consciência coletiva da região em relação ao lixo e, hoje, a adesão ao trabalho deles é de quase a totalidade do município e região.

O GAP existe praticamente sem apoio financeiro do poder público, e quase sem apelo dentro da rota turística da Chapada. Sua única fonte de renda é a venda de artesanato e a colaboração da população local. A venda do material reciclável é convertida em renda para os trabalhadores que atuam na coleta, triagem e processamento.

Vida longa ao GAP e aos loucos desse mundo!

Esse é o Théa, quem me apresentou a linda história e o belíssimo trabalho do GAP.

Advertisements