Lençóis – Chapada Diamantina

Planejar uma viagem para a Chapada Diamantina é um grade desafio. É uma imensa região, com uma infinidade de trilhas, cachoeiras e coisas para fazer. Não importa quanto tempo você tenha para passar lá, a sensação é a de que jamais haverá tempo o bastante para ver tudo.

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Planejar uma viagem para a Chapada Diamantina foi um grande desafio. Primeiro por que só o parque cobre uma área de 41 mil km², passando por 24 municípios no interior bahiano. Depois por que para além do parque há outra infinidade de trilhas, cachoeiras e coisas para fazer.

Por ser uma área muito extensa e contando com nove dias para conhecer a região, decidi dividir a viagem em três pontos principais de pouso. Dessa forma, eu dividi a Chapada em Norte, Centro e Sul, para poder organizar melhor os pontos que eu veria, e escolhi (mais ou menos) os lugares onde dormiria para assim, gastar o menor tempo na estrada.

Mas apesar de toda a organização, não importa quanto tempo você tenha para passar lá, a sensação é a de que jamais haverá tempo o bastante para ver e fazer tudo que a Chapada tem para oferecer.

E, no final das contas, eu costumo deixar a viagem seguir seu o próprio ritmo e ir me adaptando a ele. Acabou que dormi em cidadezinhas que eu não tinha previsto, passado mais ou menos tempo em alguns lugares do que eu havia previsto e, obviamente, vendo e vivendo experiências que eu jamais poderia esperar.

A Chapada Diamantina é incrível. Dois anos atrás fui à Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que havia me surpreendido com a beleza e a pureza do céu e das águas. A comparação é inevitável. A Chapada Diamantina me conquistou pela força das paisagens: o verde intenso das matas, a umidade no ar, o vermelho intenso, quase preto, dos enormes rios e cachoeiras, a brutalidade das pedras e a enormidade dos cânios e vales. A Chapada Diamantina não cabe não cabe em qualquer descrição.

 

Mas hoje tento contar um pouco dessa roadtrip inesquecível em uma série de posts que se seguirão a este.

 

O meu primeiro pouso foi na cidade de Lençóis, como acontece com a maioria das pessoas que vão para a Chapada. Voei do Rio até Salvador, onde aluguei um carro. De lá até Lençóis foram 6 horas (ou 430km) de estradas em muito boas condições.

 

 

Lençóis teve grande importância durante a fase da mineração na Bahia, principalmente com a descoberta de diamantes na região, o que acabou por atrair exploradores de toda parte do mundo. Isso deixou uma marca impressionante na arquitetura colonial da cidade. Rica, eclética e multinacional. Nota-se a influência cultural de portugueses, belgas, turcos e, obviamente, da economia escravagista. Tamanha foi a importância econômica da cidade que por pouco não se tornou a capital da Bahia. Mas após a fase do diamante, a cidade entrou em declínio e perdeu grande parte da sua população.

A criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em 1985, fez com o turismo trouxesse Lençóis de volta para o mapa. Hoje, sendo pouso principal para os viajantes da Chapada, Lençóis atrai uma grande quantidade de artistas, bares, cafés e restaurantes. Pensa em um centro histórico, com ruas coloniais, de pedra, com artistas circenses, músicos e teatrais se apresentando, com boas opções de restaurantes, bares e botecos.

A cidade é cortada pelo rio Lençóis, e já dá um spoiler de como vai ser a paisagem dominante por toda a região: a água de cor forte correndo pelas pedras de quartzito, de cor meio rosa e a vegetação imponente.

Em Lençóis eu acabei passando três noites para conhecer toda a parte Norte da Chapada. De lá, conheci as grutas de Lapa Doce, Torrinha e Pratinha; o famoso Morro do Pai Inácio, principal cartão postal da Chapada; o Poço do Diabo; a cachoeira do Mosquito e o quilombo do Remanso. Acabei passando uma noite além do planejado na parte Norte da Chapada, dormindo no Vale do Capão, mas essa experiência vale um post inteiro no futuro.

E de todas as opções de bares e restaurante em Lençóis, acabei me apaixonando por dois restaurantes com comida excelente, preço pra lá de justo e, principalmente, com atendimento incrível: o Lampião e o Vilarejo. Muitas dicas preciosas que peguei para essa parte da viagem vieram da galera que trabalha nesses restaurantes, em maioria, estrangeiros em período sabático – ou que se mudaram de vez para lá.

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Nos dois primeiros dias eu tirei para conhecer as principais grutas da região: a Gruta da Lapa Doce; e a Gruta Azul e da Pratinha (que vem no próximo post).

As atrações como essas grutas ficam na parte de fora do limite do que, legalmente, é o Parque Nacional da Chapada da Diamantina e, portanto, ficam localizadas em propriedades particulares. Cada propriedade cobra um valor de entrada que é sempre na faixa dos R$30.

Uma das coisas que mais me impressionaram nessas atrações é o forte controle dos órgãos públicos do meio ambiente. Todo o interior das grutas contam com sensores de controle de visitantes e as propriedades estão submetidas a fortes regras e controles para manterem a concessão dessas atrações.

A gruta da Lapa Doce tem uma trilha de acesso super leve que é feita, obrigatoriamente, com guia local para garantir o cumprimento das regras de uso do local e a preservação das cavernas e da segurança dos visitantes. É a quinta maior caverna do Brasil e é mundialmente famosa por suas imensas milenares estalagmites e estalactites, todas com centenas ou milhares de anos de formação.

 

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Na estrada que separa o local da Gruta da Lapa Doce e a cidade de Lençóis fica uma cachoeira muito popular na Chapada, o Poço do Diabo. Primeiro por que ela é realmente bonita e oferece um lago excelente para nadar, e bastante pedra ao redor para deitar e pegar sol.

Em segundo lugar, por que o acesso a ela é extremamente fácil e às margens da BR-242, estrada que dá acesso às grutas, ao Morro do Pai Inácio e à cidade de Lençóis. Seguindo as indicações, só parar o carro na estrada e caminhar 5 minutos até a cachoeira.

 

 

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Além de todas a estrutura que a cidade de Lençóis oferece, o rio que corta a cidade é um lugar perfeito para se encerrar o dia. Subindo pelas ruas da cidade chega-se a parte mais alta do rio Lençóis, onde se forma a cachoeira do Serrano, local perfeito para assistir o por do sol e fechar o dia com chave de ouro.

 

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