Arte e Reciclagem no Interior do Bahia

Entre Lençóis e o Vale do Capão, decidi passar a noite em Palmeiras para amanhecer próximo à Cachoeira da Fumaça. Quando acordei, em frente a pousada, vi uma casa TODA construída de material reciclado. Foi assim que conheci o GAP – Grupo Ambientalista de Palmeiras.

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Depois de ter passado os três primeiros dias baseado em Lençóis, era chegada a hora de partor para a pequena vila do Vale do Capão. Como eu saí tarde de Lençóis, decidi passar a noite no meio do caminho entre as duas para, assim, poder conhecer a cachoeira da Fumaça na manhã do dia seguinte.

E foi dessa maneira que fui parar em Palmeiras, uma pequena cidade ainda no Norte da Chapada. Cheguei lá por volta das 21h e já não havia nenhuma viva alma ou barulho nas ruas, exceto por um trailler que vendia podrão e tava com a TV ligada em algum jogo de futebol. Foi difícil achar um lugar para comer. Tive que comer um lanche no único estabelecimento aberto da cidade (REAL!).

 

(Aquela casinha laranja, atrás da igreja, era o único lugar aberto da cidade)

 

A primeira vista, achei que Palmeiras não teria muito a oferecer. Seria apenas uma cidadezinha perdida no interior, um ponto de parada para passar a noite. Escolhi uma pousada simples na saída da cidade, para ficar mais perto do caminho da cachoeira da Fumaça.

Só que quando eu acordei no dia seguinte, bem em frente a pousada, eu vejo uma casa TODA MONTADA DE MATERIAL RECICLADO. E, obviamente, enlouqueci.

 

 

< O carro ecológico, sem radiador, feito pelo pessoal do GAP >

 

 

Ali funciona o GAP – Grupo Ambientalista de Palmeiras. O GAP é uma ONG que “atua na defesa, conservação e recuperação do meio ambiente da Chapada Diamantina”.  Conforme fui entrando no terreno, um mundo feito de material reciclado foi se mostrando. Absolutamente tudo é feito com material coletado na região, desde portas e paredes, até obras de arte e instrumentos musicais.

Surgido nos anos 90, o GAP atua não só na reciclagem de materiais, mas também em obras diretas de conservação do meio ambiente, como replantio de mata nativa; e de ações de inserção sócio-cultural, como rodas de capoeira, conscientização ambiental e horto comunitário. Quem me mostrou o projeto foi Théa, que trabalha no GAP desde o início.

Eu, pessoalmente, não consigo descrever o quanto eu fiquei emocionado de ver um trabalho tão bonito e importante sendo realizado no interior do Brasil, sem nunca ter ouvido falar sobre ele. Todo o trabalho desenvolvido pelo GAP é incrível, desde coleta de lixo, obras de arte com sucata, até replantio de florestas etc. Mas a conquista do GAP que mais me deixou comovido foi o apoio e conscientização da comunidade local.

 

Nascido de pessoas ligadas aos ideais do reggae, o GAP era visto no início como coisa de louco. Mas como me disse um de seus fundadores: O QUE SERIA DO MUNDO SEM OS LOUCOS?

 

Os catadores do GAP passam pela cidade diariamente coletando o lixo das residências e ensinando as pessoas a separar o lixo da forma mais simples e eficaz possível: lixo seco e lixo orgânico. Com trabalho persistente, o GAP conseguiu mudar a consciência coletiva da região em relação ao lixo e, hoje, a adesão ao trabalho deles é de quase a totalidade do município e região.

O GAP existe praticamente sem apoio financeiro do poder público, e quase sem apelo dentro da rota turística da Chapada. Sua única fonte de renda é a venda de artesanato e a colaboração da população local.  A venda do material reciclável é convertida em renda para os trabalhadores que atuam na coleta, triagem e processamento.

 

Vida longa ao GAP e aos loucos desse mundo!

 

 

< Esse é o Théa, quem me apresentou a linda história e o belíssimo trabalho do GAP >

 

 

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