Chapada Diamantina

De viajar para lugares de refúgio na natureza eu sempre gostei. Aliás, viajar de carro sempre foi uma paixão que aos poucos eu começo a dividir aqui no blog e no meu instagram.

A Chapada Diamantina estava nos meus planos de viajeiro há mais tempo do que eu posso imaginar. Na verdade, eu conhecia muito menos da Bahia do que eu gostaria. Então, quando eu tirei férias em agosto, decidi que era a hora de consertar esse erro da história.

Voei do Rio a Salvador, e em cinco horas de estrada, parei em Lençóis, cidade do interior bahiano que é o ponto de início mais comum para quem vai conhecer a Chapada. De lá, eu sabia que passaria uns dos 10 dias mais incríveis da vida. E mesmo com as mais altas expectativas, eu consegui me surpreender a cada dia.

Por ser uma área muito extensa e abrangente, decidi dividir a Chapada em três partes, e as chamei de Norte, Centro e Sul. Foi o máximo de planejamento que eu fiz nesta viagem que, aliás, é como eu gosto e costumo viajar. Baseado em Lençóis, conheci as grutas mais famosas, algumas cachoeiras e vivi uma experiência no quilombo do Remanso que eu vou guardar na retina para sempre.

Remanso é a remanescência de uma comunidade quilombola instalada ali a partir dos descendentes de um escravo fugido e de sua mulher indígena. Uma pequena e humilde comunidade, que vive ao redor de uma pracinha e de uma escola pública, que encontrou no turismo sustentável uma forma de sobreviver preservando seus hábitos e costumes.

Cheguei no Remanso em um dia de semana, falei com as pessoas do local, conheci a rotina da escola, me encantei pelas crianças e pelas professoras que fazem do magistério a missão de suas vidas. E assim fui entrando no dia daquelas pessoas, até conhecer um guia local que me levou a um passeio de canoa rio acima, até a cachoeira do Remanso, conhecendo o ritmo da comunidade da forma mais pura e natural que poderia acontecer.

A cada parada que eu fazia, fosse para uma cachoeira, uma trilha, ou no meio da estrada entre uma cidade ou outra, a comida era servida da mais humilde, e portanto, melhor forma possível. Eu fazia questão de almoçar nas propriedades locais, ao invés de restaurantes. Sempre era comida produzida localmente, de forma orgânica, com todo o capricho do mundo, e com a receptividade que somente o interior e a Bahia são capazes de oferecer.

A minha viagem contou com o mínimo de planejamento possível. O que significa que a própria viagem ditava o ritmo da viagem. O que também significa que a cada dia eu dormia em uma pousada de uma cidade diferente. Foi assim que conheci o maior número de pessoas possível e experimentei lugares que os guias e os blogs de viagens não conheciam.

Na porção central da Chapada, um pôr do sol memorável no Morro do Pai Inácio, cartão postal da Chapada.

Já descendo para a porção mais ao Sul, cheguei – meio que por acaso – no pequeno vilarejo de Vale do Capão. “Meio por acaso” por que alguém no caminho me indicou que eu não perdesse a cachoeira da Fumaça, famosa por que suas águas correm para cima(!). Mas três horas de trilha me mostraram o que na minha cabeça seria impossível. A força do vento, canalizado pelo estreito e comprido vale, faz as águas desafiarem a gravidade e mudar a trajetória no meio da queda.

Se uma cachoeira que escorre para cima já não é mística o suficiente, na descida da trilha procurei uma pousada para dormir no vilarejo mais próximo. E assim eu acabei conhecendo o reino mágico do Vale do Capão Monges, hippies, pessoas de todas as nacionalidades faziam dessa pequena vila escondida no interior bahiano uma metrópole de troca de energia e positividade, um verdadeiro lugar de encontro de pessoas que largaram tudo para se acharem no meio da natureza da Chapada Diamantina.

[foto cachoeira da fumaça]

Se as surpresas não tinham sido bastante, no meio do caminho da descida até a parte Sul, a estrada cruzava pela esquecida vila de Mucugê, importante centro produtor na época da mineração, mas esquecida pelo tempo e pelos visitantes que dedicam seu tempo às atrações mais famosas da Chapada na parte Norte. Para minha surpresa, a cidade de ruas quase completamente vazias, preserva perfeitamente o casario colonial, coretos e ruas de paralelepípedo em perfeito estado, em contraste berrante em relação à paisagem humilde e empobrecida do restante da viagem.

O final de uma viagem incrível como essa não poderia ser fechada de forma menos espetacular do que com a visita à cachoeira do Buracão, outra indicação que recebi no meio do caminho

Para saber de mais detalhes da minha viagem pelo interior da Bahia, eu fiz uma série de posts no blog aqui do site:

Parte 1     Parte 2     Parte 3

Parte 4     Parte 5     Parte 6

Parte 7     Parte 8     Parte 9

 

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