Dublin

Entre os anos de 2012 e 2013, eu morei na Ilha da Esmeralda para terminar meus estudos. Foi um ano intenso, em um país muito diferente do meu. Por isso mesmo foi um ano de felicidade, de expansão e de viagens a lugares inesquecíveis.

A Irlanda é um país de beleza singular. E uma das coisas que mais me marcaram é o fato de seus habitantes sentirem profundo orgulho de seu patrimônio natural e cultural.

Talvez por isso, para todo lado que se olhe há construções antigas e cheias de história, ou castelos medievais bem preservados, convertidos para uso moderno ou em ruínas e abertos ao acesso de todos. E, claro, tudo sempre cercado pelo verde intenso e constante que deu à Irlanda o merecido apelido de ilha Esmeralda.

A capital Dublin, marcada pelo ritmo de vida até meio pacato é, ao mesmo tempo,  uma cidade festeira, reflexo da simpatia inata de seus habitantes. Com parques para todos os cantos, cercar-se de paz e natureza é tarefa muito fácil.

No curto período de verão, quando o frio dá um pequena trégua e temperaturas ficam amenas, os dublineses lotam os pubs e os gramados da capital, tornando a cidade em uma grande festa a qualquer hora ou o dia da semana.

Com o sucesso econômico nos anos 90, as margens do rio Liffey, que corta Dublin em Norte e Sul, viram surgir construções modernas em vidro e metal que se somam aos grandes palácios, palacetes, casario vitoriano e bairros suburbanos uniformizados. A ponte Samuel Beckett é o grande simbolo dessa modernidade, e fica na região onde se instalaram as principais empresas de tecnologia da Europa, que escolheram a Irlanda como sede.

Nas ruas que saem do centro, os prédios praticamente iguais, de tijolo vermelho e grandes janelas faz qualquer pedestre se sentir um personagem de James Joyce, principalmente nos bucólicos e nublados dias de frio.

 

Maior parque urbano da Europa, o Phoenix Park é um santuário de paz ao norte da capital. Com mais de 700 hectares de área, o Phoenix é lar de coelhos, esquilos, veados, cerdos e diversos outros animais que vivem soltos pelo gramado do parque, além de abrigar o zoológico da cidade e ser vizinho do ótimo Irish Museum of Modern Art.

Para quem curte uma boa leitura e já se aventurou pelos livros de James Joyce, andar por Dublin é um grande dejà vu. Embora muito mais moderna e rica que a Dublin empobrecida e meio triste de Joyce, a cidade mantem seu autêntico charme intelectual.

Acho que esse charme se expressa na atitude de seus habitantes nas ruas, nos cafés, nos pubs, nos parques e nas imponentes construções que desafiam a atmosfera fria e cinzenta da cidade, tornando-a num lugar acolhedor e intimista.

Os prédios públicos mais antigos de Dublin são quase todos construídos em calcário. Para além da cidade, o cinza característico dessa pedra está presente na paisagem de todo o país: nas igrejas, estradas, nos castelos, nas ruínas.

 

GUINESS

Com o DNA autenticamente irlandês, a Guiness é motivo de orgulho para o país. A antiga fábrica, que ocupa um enorme prédio na capital, tornou-se um excelente ponto turístico que leva os amantes da stout a uma experiencia completa sobre a produção e a história da cerveja que existe desde 1759.

No final do roteiro, já no alto do prédio, o Gravity Bar oferece visão panorâmica de toda cidade, incluindo o Parque Nacional das Wiclow Mountains, no extremo sul da cidade, de onde se extrai a água da receita original da Guiness.

 

 

HOWTH

 

Mas de todos os cantos que conheci da cidade, dois eram os meus preferidos. O primeiro era Howth, uma península na margem norte da cidade, que abriga um simpático porto pesqueiro e vistas incríveis para o Mar da Irlanda.

Uma antiga vila de pescadores no passado, Howth tornou-se um bairro rico, que hoje abriga mansões e casas da elite irlandesa. Mesmo assim, Howth conserva sua atmosfera de cidadezinha, o que a torna perfeita para passeios de fim de semana, com direito a caminhada pelo pier, vinho e picnic nas praças a beira mar. Outro ponto forte de Howth é a possibilidade de comer frutos do mar fresquíssimos trazidos pelos barcos que ancoram no cais e preparados nos restaurantes na própria orla. Sensacional.

Meu segundo lugar predileto na cidade era o pier que protege o estuário do rio Liffey e abriga o porto comercial de Dublin.

O estreito pier, que se estende por 6,5km mar adentro, é perfeito para uma longa corrida ou caminhada tendo o mar como companhia exclusiva dos dois lados.

TEMPLE BAR

Falar de Dublin sem falar de Temple Bar é impossível. No centro da capital, o bairro boêmio é onde se concentram pubs, boates e é palco para diversos artistas de rua. E onde também turistas se acotovelam e repetem uma das mais famosas tradições irlandesas: o pub crawl, pulando de pub em pub, bebendo e aproveitando incríveis bandas locais que se apresentam gratuitamente.

 

 

Dublin é uma cidade que une o melhor de ser uma cidade pequena com o melhor de ser uma capital européia. Ao mesmo tempo que é pacata, calma, tranquila, limpa e segura, é uma cidade moderna, cosmopolita e com uma intensa vida cultural, abrigada em suas imensas universidades, excelentes e modernos museus e na sua incrível arquitetura. Conhecer suas ruas, sua história e conviver com a simpatia gratuita do povo irlandês são experiências que vão ficar marcadas para sempre na minha memória.

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