Chapada Diamantina – Quilombo Remanso

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A 20 km de Lençóis está a região do Marimbus, chamada pela população local de Pantanal bahiano. É uma área alagada pelo rio Santo Antônio que impressiona pela diversidade de sua fauna e flora.

A área está toda dentro do Parque Nacional e, portanto, tem sua natureza completamente preservada, o que torna o viagem de canoa pelo rio uma experiência única.

Mas antes de ir para o rio, decidi conhecer a comunidade quilombola do Remanso, e passei uma manhã surpreendente.

Cheguei ao local por volta das 10h da manhã de uma segunda feira, parei o carro e saí para algumas fotos. Quando cheguei na área central da pequena comunidade, decidi conhecer a pequena escola mantida ali. Por sorte, era hora do recreio e as crianças estavam todas brincando na rua.

Tive a oportunidade de conhecer as professoras que estavam trabalhando no dia e aprendi muito da beleza do trabalho delas, de levar o magistério a uma comunidade distante e com tradições próprias tão fortes.

Segundo a história que me foi contada pelos moradores do quilombo, a comunidade começou quando um ex-escravo estabeleceu-se naquele local com sua mulher, uma indígena da região, com quem teve diversos descendentes.

A cultura quilombola local é mantida com muito orguho por todos da comunidade, com membros que mantem vivas atividades como a produção de farinha de mandioca artesanal, a pesca, as rodas de capoeira, a religiosidade afro-indígena.

[ MAIS FOTOS DAS CRIANÇAS ]

[ MELHORAR O TEXTO ABAIXO ]

O turismo oferece hoje uma importante fonte de renda para a comunidade que se organizou em prol de não deixar que essa nova atividade apague suas raízes.

As agências de turismo em Lençóis organizam passeios pelo rio Santo Antônio em parceria com os membros do quilombos, evitando trazer mão de obra externa.

Eu cheguei ao quilombo por conta própria e vivenciei durante boa parte do dia a rotina daquelas pessoas. A simplicidade e a receptividade, o carinho com que fui tratado foram as grandes marcas desse dia incrível.

De lá, segui para o rio Santo Antônio, para duas horas de remada até a margem do rio que dá acesso à cachoeira do Roncador. Chegando lá, conheci uma antiga casa-grande, que hoje é habitada por descendentes quilombas e que a utilizam como centro de recepção para os visitantes.

Dona XX é uma cozinheira de mão cheia e oferece aos visitante a sua deliciosa comida, sempre feita no fogão a lenha, com todo o carinho e simplicidade que lhe cabe.

Me chamou a atenção que Dona XX não tinha geladeira na sua cozinha, apesar do seu ofício de cozinhar para um número bastante variável e inconstante de visitantes. Perguntei a ela como ela fazia para manter aquela cozinha sem geladeira.

– Ora, tudo do que eu preciso eu colho da horta na hora. O peixe é pescado no dia, ou no dia anterior, no rio que está a dez passos daqui. A carne dura de três a quatro dias em potes. A comida aqui é fresca por natureza, não preciso de geladeira.

Maravilhosa!

E continuou:

– E a comida não estraga aqui. Tem sempre gente para comer. E o que sobra eu deixo para a Catutu.

Catutu!

De lá peguei a trilha pra a cachoeira do Roncador, em um trilha leve de 30~40 mins de duração. É uma cachoeira que impressiona pela poesia que traz em si.

A pedra rosa, bruta pela forma e enorme em tamanho, abre caminho no verde constante da mata para que a água, cor de sangue possa escorrer e serpentear, formando delicadamente diversos poços e piscinas em seu curso.

[FOTO MERGULHO POÇO]

YY foi a pessoa que me guiou pelo rio Santo Antônio. Menino, de 22 anos, mas com muita história para contar. Respondia às minhas milhares de perguntas curiosas com toda simpatia e propriedade Me falou os nomes de tantas aves, flores, árvores. Me mostrou como as pessoas do quilombo usam e respeitam o rio como fonte de vida da comunidade.

Remador desde que tem memória, YY faz o trajeto de 2h pelo rio algumas vezes por dia, só por prazer. Me contou que enquanto ele é um exímio remador, seu irmão é excelente na corrida, e costuma fazer todas as trilhas correndo descalço. Os dois já fizeram parte de times grandes no Brasil, cada um em seu esporte.

Mas a força da raíz os puxou de volta para a vida no Remanso. Soube que ele pensa em mudar-se para o Rio Grande do Sul, para trabalhar com o primo que está lá, ganhar dinheiro, construir sua vida. Mas confessou que tem medo de não se adaptar a qualquer outro lugar.

Eu e YY não temos quase nada em comum. Eu cresci na cidade grande e YY tem um conhecimento sem limite da vida na natureza. Mas se tem uma coisa que une todos os seres humanos é o medo.

[ FALTA UM PARÁGRAFO AQUI ]

Agradeci pela companhia inesquecível daquele dia, pedi para tirar um retrato seu e desejei que ele fosse tão feliz na sua vida quanto eu estava por conhecer aquele lugar.

 

XXXX

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